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Orientações para vigilância, identificação, prevenção e controle de infecções fúngicas invasivas em COVID-19

NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2021

Orientações para vigilância, identificação, prevenção e controle de infecções fúngicas invasivas em serviços de saúde no contexto da pandemia da COVID-19

Introdução

Desde o início da pandemia da Covid-19, várias publicações científicas tem
alertado a comunidade de saúde sobre a ocorrência de infecções fúngicas em pacientes portadores de formas graves dessa doença, em particular aqueles que demandam cuidados intensivos por períodos prolongados.

Entretanto, o interesse na discussão deste tema assume nova dimensão com o crescimento de casos de Covid-19 na Índia, onde cerca de 15 mil casos de mucormicose foram documentados até recentemente, uma micose invasiva envolvendo fungos filamentosos hialinos da ordem Mucorales (Rhizopus sp, Mucor sp, Rhizomucor sp, Lichtheimia sp, entre outros), que a imprensa vem denominando erroneamente como micose por “fungos negros”1,2,3,4.

Na América do Sul, casos de mucormicose em pacientes com Covid-19 foram documentados no Paraguai, Uruguai e, até o momento, o Brasil registrou alguns casos no Amazonas, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Importante salientar que não é esperado que a mucormicose assuma a mesma proporção no Brasil que a observada na Índia.

Antes mesmo do advento da Covid-19, a Índia registrava taxas de incidência de mucormicose cerca de 70 vezes maior que o restante do globo. O elevado número de casos de mucormicose em pacientes com Covid-19 na Índia está relacionado, entre outros fatores, com a elevada incidência de diabetes na população desse país (muitos sem diagnóstico e tratamento), favorecendo o surto de mucormicose nos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em uso de elevadas doses de corticóides para tratamento
da Covid-191,2,3,4.

Pacientes que evoluem com formas graves de Covid-19 frequentemente
apresentam idade superior a 60 anos, diabetes, doenças pulmonares crônicas entre outras comorbidades, condições que incrementam o risco para o desenvolvimento de infecções fúngicas num cenário de internação hospitalar prolongada, uso de antibióticos, procedimentos médicos invasivos, hemodiálise e ventilação mecânica prolongada.

Uma vez presentes estas condições de risco, várias micoses invasivas tem sido documentadas em associação a Covid-19 merecendo destaque a candidemia, a aspergilose invasiva e, agora, a mucormicose2,3.

Neste contexto, o presente documento visa orientar para a vigilância e o
diagnóstico de infecção fúngica invasiva em pacientes com COVID-19 para permitir o tratamento imediato e, consequentemente, ajudar a prevenir o agravamento do quadro desses pacientes internados nos serviços de saúde do país.

Leia a nota na íntegra:

(Fonte: Anvisa)

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